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"Casamento entre pessoas do mesmo sexo?"
15 a 21 de Março de 2009

*A teologia de Paulo*
Por

Pr.Ms. Wisley Menezes

Paulo era um homem de tres mundos...



Paulo e o Helenismo. A familiaridade com o mundo grego é indicada pela sua origem (Tarso, centro do epicurismo) e pelo estilo e vocabulário helênico. Ele foi capaz de “... interpretar o evangelho numa forma que fosse compatível com a cultura helênica.” Mas não há fusão de idéias gregas com a teologia judaico-cristã.

Paulo e o judaísmo. Na base da mentalidade e formação de Paulo está o ambiente judaico, do qual ele próprio dá testemunho (Fp 3.5,6; 2Co 11.22; Gl 1.14; At 22.3). Como Paulo nunca recebeu uma “teologia pronta”, suas idéias devem ser entendidas a partir de seu embasamento original. Em princípio, há pouca dúvida de que os alicerces do pensamento Paulino estavam no AT e no judaísmo de seu tempo. “... Paulo estava preparado, como teólogo judeu, a pensar, sob orientação do Espírito Santo, nas implicações do fato de que o Jesus de Nazaré crucificado era de fato o Messias e o Filho de Deus ressurreto e elevado ao céu.” O problema é que o judaísmo não era uniforme; era composto de várias correntes, especialmente a rabínica (farisaísmo), a apocalíptica, a helenista (diáspora) e a qumrânica. Essas correntes interagiam e não eram puras. Assim, propôs-se que Paulo fosse basicamente rabínico (W. D. Davies), apocalipsista radical (Schweizter), sincretista que fundiu o cristianismo judaico primitivo com as religiões de mistério ou um helenista com características protognósticas. Provavelmente o embasamento teológico de Paulo é judaico, farisaico (rabínico) e apocalíptico, mas aberto a certa influência das outras correntes judaicas e do helenismo.
A religião de Paulo reflete sua origem judaica, no monoteísmo, culto, ética, fé nas escrituras hebraicas e até na hermenêutica. Como judeu, afirmava a centralidade da Lei, que incluía as tradições (Gl 1.14). Como os outros fariseus, Paulo “... tinha perdido o sentido da revelação de Deus e a sua fala através da voz viva da profecia.”, agarrando-se ao Torah. Participava da esperança escatológica básica do judaísmo, que remonta aos profetas do AT, na estrutura apocalíptica de duas eras (olam hazzeh e olam habbah), esperando a salvação futura de Deus. Era um perseguidor dos cristãos na medida em que reconhecia em Jesus a negação do judaísmo farisaico, que para ele era a fé bíblica. Jesus não poderia ser o Messias, nem seus discípulos o povo messiânico; portanto o movimento representado por Estêvão tinha de estar errado (At 7.35ss, 58; Gl 1.13; 1Co 15.9; Fp 3.6), e “... a própria existência da igreja, com sua afirmação de ser o povo do Messias, era uma ameaça ao judaísmo.”

Paulo conheceu o cristianismo helenista de Jerusalém. Como judeu helenista originário de Tarso, Paulo frequentava a sinagoga dos “libertos”, onde ouviu a pregação irresistível do helenista Estêvão (At 6.8-10). As acusações de que este ensinava contra o Templo e contra a Lei (6.13,14) tem seu fundo de verdade claro no sermão que ele proferiu, especialmente no final, onde afirma que Deus não habita em templos humanos e que os próprios judeus jamais cumpriram a Lei (7.48-53). O desafio reformatório de Estêvão ao judaísmo abalou o equilíbrio alcançado entre a igreja e o judaísmo com Gamaliel (5.33-42) levando a uma grande perseguição da qual Paulo foi um importante personagem (7.54-8.1-3; 9.1ss). Esse mesmo desafio reformatório é encontrado posteriormente no ministério de Paulo.

A Experiência Revelatória

A experiência no caminho de Damasco está na origem da religião de Paulo. Diversas tentativas foram feitas para explicar a experiência; ela certamente não foi fruto de reflexão, pois todos os testemunhos indicam que a mudança foi quase instantânea; alguns propuseram que teria sido uma crise psicológica, mas não há indícios de que ele estivesse psicologicamente predisposto a tal crise (cf. Fp 3.4,7; Rm 2.13,23). A história não consegue encontrar uma explicação natural e limita-se ao silêncio; a interpretação existencial vê uma mudança radical no autoentendimento, mas como bem coloca Ladd, essa mudança não é o conteúdo, e sim o resultado da experiência de Damasco. Paulo nunca diz que sua insatisfação com o judaísmo o levou à fé e à experiência com Cristo; pelo contrário, afirma que o encontro com Cristo produziu sua insatisfação com o judaísmo. A melhor opção é sem dúvida ouvir o que o próprio Paulo disse. Para ele o que aconteceu foi “... uma aparição a ele do Jesus ressurreto, glorificado ...” (cf. Gl 1.12; 1Co 9.1; 15.8; At 9.1-9; 22.6-16; 26.12-18). Essa é a única alternativa viável para explicar a transformação de Paulo.

 
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